Anita é a mulher que todo homem quer.
Recém formada em jornalismo, editora chefe da revista Mulher Moderna, uma daquelas que a cada edição apresenta 400 novas posições sexuais. Tem casa, carro, corpo em forma, é educada e decidida. Anita é a mulher que todo homem quer.
Só tem a ponta do dedo estragada, sempre se apaixona por caras errados e nunca faz a coisa certa, quando o assunto é coração.
A mais nova paixão era Carlão, que conheceu em um daqueles botecos da baixa Augusta. Magro, alto, desengonçado, não tem nada de especial. Não para em nenhum emprego e conta piadas idiotas, definitivamente não tem o perfil de príncipe.
Mas o algo nele encantava Anita, e em tantas outras que ele insistia em conquistar.
Ele tem o dom da palavra, e sabe usá-las a seu favor, talvez fosse isso, mas não só, Anita gosta do seu cheiro, da forma que ele a cala quando fala, a tranqüilidade que um minuto de seu abraço dá, e a sensação de calor que ela sente ao perceber a sua presença.
Mas a guria é tímida e decidida a usar tocas aquelas dicas que escrevia em sua revista. Não dava no primeiro encontro, não se declarava até uma posição masculina, mantém pudores, entre tantas outras que suas leitoras seguiam a risca. Preferia então, inventar planos, falar nas entrelinhas, na esperança que Carlão sacasse que é dele que ele está afim.
E esse conto, continua sem final, porque até hoje Anita segue essa cartilha de tantas mulheres e não teve coragem suficiente para falar às claras, sem indiretas, email ou derivados o quanto gosta daquele cafajeste.











